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Igreja Matriz de Atalaia

História

 
A Igreja Matriz da Atalaia é um dos mais belos exemplares da arquitectura renascentista em Portugal. Dedicada a Nossa Senhora da Assunção, foi mandada edificar cerca de 1528 por D. Pedro de Meneses, Conde de Cantanhede. Já existia Igreja Matriz antes desta data, pelo menos desde o reinado de D. Pedro I, 1357 a 1367, pois pela morte de D. Lourenço Rodrigues, bispo de Lisboa, em 1364, o rei manda proceder ao inventário constando da relação de bens a Igreja da Atalaia.

A sua traça foi elaborada por João de Castilho, sendo os programas decorativos do portal principal e do arco cruzeiro da autoria de João de Ruão, naquela que é uma das primeiras obras feitas pelo mestre normando em Portugal.

O elemento que merece maior destaque é o portal, que alberga as figuras de São Pedro e São Paulo, enquadrando arco de volta perfeita encimado por entablamento repleto de motivos grotescos que ladeiam a pedra de armas de D. Pedro de Meneses.

Quatro medalhões foram esculpidos com bustos, dois ladeando o arco, com as figuras de um jovem e um guerreiro, outros inseridos na base das pilastras, mostrando um homem e uma mulher.
Na entrada, do lado esquerdo, temos a capela batismal onde podemos observar a pia batismal de pedra, com taça circular assente em base quadrada. Na guarda dos santos óleos, edícula de pedra da região de emoldurado simples que envolve na base duas caras disformes de pedra. Sobre o lintel um leque concheado acompanhado de grossos acrotéreos (pedestais das figuras, sobrepostas na frontaria) decorados com ligeiro relevo. Fecha a edícula um bonito jogo de grade de ferro, com três ordens sobrepostas de pequenos balaustres.

Nas laterais apreciamos os seus azulejos policromados, amarelos e azuis, de grande efeito artístico do século XVII. Na parte alta vêem-se 9 painéis, de 10 x 9 cada incluindo a cercadura de cadeia. As cenas do Antigo Testamento figuram no topo das paredes, intercalando com as janelas que iluminam o templo. Estes painéis pretendem ilustrar os primeiros versículos do Livro dos Génesis:

a) A Santíssima Trindade (este sobre o arco triunfal);
a) A criação do Homem;
b) Adão e Eva no Paraíso;
c) Eva colhendo as maçãs;
d) Adão e Eva expulsos do Paraíso;
e) Caim matando Abel;
f) Construção da arca de Noé;
g) Dilúvio;
h) A arca no monte Ararat.

As naves laterais são cobertas por painéis com cenas do Novo Testamento:

a) Nossa Senhora Assunção;
b) Baptismo no Jordão;
c) Santa Catarina e São Domingos;
d) Alegoria Eucarística - esta muito notável;
e) Cena da Circuncisão;
f) O Milagre da Mula;
g) Nossa Senhora da Ascensão.

A meio do templo podemos apreciar um púlpito à base de pedra, oitavada, com data de 1674, que se encontra assente em mísula de taça e voluta, tudo de muito bom desenho e com balaústre fino feito de pau santo.

Na nave lateral do lado do Evangelho foi colocado o túmulo de D. José Manuel, segundo cardeal patriarca de Lisboa, designado em 7 de Março de 1754, o único que não foi sepultado no Panteão dos Cardeais, por razões de incompatibilidade com o Marquês de Pombal devido à perseguição deste último aos Jesuítas.

Na Igreja da Atalaia releva a capela-mor. Aqui podemos apreciar a abóboda de nervuras, estreladas que morrem em elegantes mísulas (ornato, que ressai de uma superfície, geralmente vertical, e que sustenta um vaso, um busto, um arco) relevadas. No fecho da abóboda uma pedra circular, com cruz floral em relevo, sobre o qual assenta o escudo de armas dos condes da Atalaia.
O altar-mor é figura proeminente a imagem da Virgem com o Menino, possivelmente elaborada no início do século XVI, por Diogo Pires, o Velho.

Nos altares laterais existem edículas de cantaria com finíssimos coluneis exteriores, assentes em mísula e com motivos florais, lado esquerdo, e com cabeças humanas nos capitéis, no lado direito. Colunas curiosamente trabalhadas com figuração humana em três ordens sobrepostas parecendo tratar-se de simbologia ateia ou não bíblica mas de sentido hermético ou esotérico. Os fundos das paredes lisas foram, possivelmente, pinturas.

A igreja matriz da Atalaia é uma obra experimental, onde se busca já alguma simetria e racionalidade no espaço edificado, embora este resulte algo rudimentar e empregue ainda soluções manuelinas, mas de que se destaca o programa ornamental ao romano, naquela que é considerada a mais inovadora obra do mestre escultor João de Ruão.

Este edifício do século XVI é considerado Monumento Nacional desde 1926.

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